
Vejo carros parados quilometricamente. Vejo uma cidade agitadíssima, uma multidão em pura e simples fúria. A loucura toma conta das pessoas, como se fosse uma sanguessuga que drena toda a virtude que antes havia nelas. A insanidade se torna amiga intima de homens e de mulheres.
Crianças choram! Crianças Correm!
Ora! É possível ouvir gritos terríveis. Gritos pavorosos são dados por um numero infindável de pessoas! Ninguém sabe o que se deve fazer. Questionamento e perguntas passam pela mente das pessoas em frações de segundos, que nem dão tempo de pensar em nada coerentemente a respeito.
...O amanhã comum e igual a qualquer dia, não serão mais possíveis de se ver. O caos se apodera e domina a cidade completamente. As paisagens que dantes eram esplendorosas e majestosas, agora, só nos mostram a sombra que um dia a cidade foi. Destruição! É, é essa a palavra que pode definir o que poderia ser chamada de cidade.
Chamas! Explosões!
Carros batidos. Carros capotados. Carros em chamas. O fogo toma conta dos prédios, das casas, das ruas. O fogo engole as pessoas com sua bocarra ardente e voraz.
Corpos! Sangue!
Não é preciso olhar com atenção. Não é preciso ter bons olhos. Basta abrir os globos oculares e verás:
Cabeças! Braços e pernas!
Em toda a parte é notável; pedaços de corpos, corpos mutilados. O sangue tinge as paredes como formas abstratas, mas essa arte é mais que real, e trás consigo a marca e a arte da morte.
Vejo corpos mortos de pessoas abraçadas traspassados por uma barra de ferro bem no meio do estômago. Cabeças penduradas em arames, em ferros, e em estacas de madeira tal qual é espetados as carnes para churrasco. É isso mesmo o que está acontecendo? Uma cena de horror? Um quadro de puro terror vai sendo pintado; corpos esquartejados e guilhotinados. Cérebros espalhados pelo chão misturados com sangue, vezes e urina de seres humanos que se esbarraram diante desse quadro inimaginável de terror. Os cérebros espalhados parecem pastas de amendoim, jogados em vários lugares do asfalto.
Corpos de crianças abertos, violados e expostos aos céus que se fecharam, as nuvens de luto encobriram o sol, transmutado o dia, fazendo-o torna-se noite.
Os humanos tiveram um dia de fúria. Todos da cidade enlouqueceram. Não se lembram se são se já foram, ou, se te fato são o que na verdade são, humanos! A carnificina apossou-se dos seus corações, e a morte se alegrou com eles. A dor ficou felicíssima! O terror apaixonou-se ardentemente. A loucura dominou suas cabeças. E o caos os abraçou, todos em seu manto de destruição e desordem.
A cidade com seus congestionamentos infernais. A cidade com seus problemas extremamente individuais. A cidade que não olhava para se mesma, e tão pouco para os outros. A cidade egoísta, individual e indiferente não aguentou mais. Chegou ao seu limite. O sistema-de-insuficiência-humana, o alarme-de-decadência-humana, o fio-de-iniquidade-humana rompeu-se e foi para o espaço. Uma cidade que não se conhecia de verdade se voltou contra si mesma. E assim foi... Um dia de Fúria aconteceu.
(Alisson Faustino Barros)
By: Alisson Linx