Sorte eu não tenho. Vontade me sobra.
Desejo trasborda.
Ah! Negra que não me olha!
Tenho-lhe nos olhos. Sua silhueta é saborosa.
Seu andar me entorpece.
Ah! Como é dengosa!
Perco a razão no seu caminhar.
O seu movimento enlouquece os curiosos.
Eles a desejam como o ouro reluzente.
Ah! Negra birrenta!
O seus passos tem ritmo.
Tanto compasso que anima meu coração.
A sua musica é alegre. Se não toca triste fico.
Ah! Nega teimosa!
A sua escultura é uma obra de arte.
Posso contempla-la sem piscar um olho se quer.
Como posso esse monumento ter?
Ah! Negra difícil!
Como uma flor ela se parece.
O seu perfume lembra o de Jasmim.
Espinhos truculentos ficam ao seu redor.
Como posso dessa flor colher?
Ah! Como é cheirosa!
Na montanha e vale tento andar.
Na caverna quero me esconder e aconchegar.
Como fazer para que em seus mantos
Possa esquentar-me?
Ah! Negra Complicada!
Há muito tento chegar ao El Dourado.
Não busco ouro. Busco apenas uma flor.
Ah! Mas que flor intocável!
Quero apenas colher à linda flor negra dos sonhos meus.
(Alisson F. Barros)